terça-feira, 4 de agosto de 2009

O recesso acaba, inicia a guerra

Ontem, no retorno dos senadores do recesso parlamentar, coube ao senador Pedro Simon (PMDB-RS) exigir a renúncia do presidente da casa, José Sarney (PMDB-AP). As críticas do gaúcho despertaram a ira dos alagoanos Renan Calheiros (PMDB) e Fernando Collor de Mello (PTB).

Veja vídeo abaixo, retirado do blog do Nassif:



A discussão também levou ao ringue Wellington Salgado (PMDB-MG). O vídeo foi retirado do blog Amigos do Presidente Lula:



É evidente que Sarney está sofrendo um direcionamento proposital de críticas por parte da grande imprensa, e que PSDB e DEM alimentam a crise com a intenção de desestabilizar o governo Lula (o afastamento de Sarney colocaria na presidência o tucano goiano Marconi Perilo). Ponto. Mas isso não o inocenta das denúncias. Só para listar e relembrar: atos secretos, recebimento ilegal de auxílio-moradia, mansão não declarada à Justiça Eleitoral, desvio de verbas oriundas da Petrobrás na Fundação Sarney e nepotismo. Tudo isso é mais do que suficiente para que ele deixe a a presidência da Casa.

Mas não sejamos ingênuos a ponto de crer que sua saída solucionará as mazelas do Planalto Central. Sarney há muito afirmou: "A crise não é minha. É do Senado". Ele estava certo. Só uma mudança total no quadro de senadores irá recolocar a ética na Casa.

Voltemos às brigas de ontem no plenário.

É impressionante o grau de cinismo de um Renan Calheiros (ex-presidente do Senado, que teve que renunciar ao cargo) e Fernando Collor de Mello (dispensa comentários). E também de Wellington Salgado, que sequer foi eleito pelo povo para sentar-se nas cadeiras do Senado (ele assumiu por ser suplente de Hélio Costa, atual ministro das Comunicações de Lula, e responde por crime contra a ordem tributária - uma de suas empresas deve mais de R$ 37 milhões ao INSS.). Os três representam todo o fisiologismo da política brasileira.

Não que Pedro Simon seja santo. Wellington Salgado bem lembrou que ele defende o governo de Yeda Crusius (PSDB) no Rio Grande do Sul, marcado por intensa corrupção. Mas seu patamar ético ético está bem acima dos outros três. Apoiar alguém de caráter "duvidoso" já virou praxe na polítiva nacional.

Outra coisa que chama a atenção é o teatro de Collor. Parece que o ator de 1989 novamente encontrou seu papel. Bufando a toda hora, o ex-presidente da República fez uma excelente (apesar de forçada) atuação de indignação com as declarações de Simon e uma apaixonada defesa de Sarney. Valeria o Oscar de melhor ator. Não lembra em nada o Collor da campanha presidencial de 89, quando o ataque à Sarney era um de seus motes de campanha. Apenas para relembrar, segue abaixo um vídeo por mim editado em que o alagoano tenta atacar Lula no debate do segundo turno. Prestem à atenção ao argumento que ele usa para atingir o petista:


video

Outro vídeo, bem mais ilustrativo, mostra Collor atacando duramente Sarney. Vejam aqui, no Blog do Noblat.

Enquanto isso, os senadores do PSDB e DEM parecem estar em outro mundo. Os partidos, que até semana passada teciam severas críticas a Sarney e exigiam seu afastamento, agora parecem estar fugindo do tema. O amazonense Arthur Virgílio, líder do PSDB no senado, que outrora proferia inflamados discursos e entregava representações e denúncias contra Sarney no conselho de ética, parece ter sido anestesiado por alguma coisa. Vejam aqui seu discurso de hoje na tribuna.

Será que esse recuo do tucano se deu pela ameaça de Renan Calheiros de entrar no conselho de ética com representações contra ele, em represália a sua cruzada contra Sarney (culpa no cartório Virgílio tem: emprestou R$ 10 mil de Agaciel Maia, "alojou" em seu gabinete um funcionário que vive na Europa)?

O fato é que esse aparente recuo demo-tucano, se comprovado, terá algum propósito. Em troca, podem receber algo do PMDB. As opções vão desde um "apoio" na CPI da Petrobrás à tentativa de parceria nas eleições de 2010.

Enfim, essa semana será decisiva para a permanência de Sarney na presidência do Senado. Torço para que ele caia, que PMDB e PSDB se digladiem e que a Casa torne-se palco de uma guerra de denúncias. Aí sim teríamos o privilégio de saber os podres dos senadores. Isso seria o ideal, mas o cheiro de pizza é forte.

domingo, 2 de agosto de 2009

Que fome, senadores!

Sem ânimo para escrever novamente sobre a crise do Senado (e me poupando para a volta do recesso parlamentar, quando a Câmara Alta se tornará palco de uma guerra entre o PMDB e PSDB), resolvi dar uma passeada no Portal da Transparência do Senado. Duas coisas me chamaram a atenção: o grau de transparência da Casa e a falta de pudores de alguns de nossos senadores.

Para quem não sabe, todo senador recebe R$15 mil mensais de verba indenizatória, para ser utilizada no custeio de atividades inerentes ao exercício parlamentar. Todos os gastos debitados nessa verba estão disponíveis na internet, permitindo a qualquer cidadão conferir que fim nossas excelências estão dando ao dinheiro público.

Em uma pesquisa rápida, percebe-se que alguns senadores deveriam se preocupar mais com a dieta. Observem os gastos com alimentação de Fernando Collor de Mello (PTB-AL) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG), referentes ao mes de junho desse ano:


É muito bom saber que, enquanto 14 milhões de brasileiros passam fome (segundo dados de 2006 do IBGE), nossos senadores não poupam gastos com sua alimentação. Agora me digam: é justo a população, por meio dos impostos, pagar os R$ 763,60 que o político gastou em uma churrascaria?

Mas o pior não é o fato do senador ter gasto todo esse dinheiro em um restaurante. O mal maior é tudo isso ser divulgado na internet e não tomarmos atitude alguma quanto a isso. Significa que o brasileiro já assimilou o caráter "duvidoso" de nossos políticos, não se surpreendendo mais com nada.

Afinal, todo dia somos bombardeados pelo noticiário exclusivamente negativo. Com denúncias de nepotismo, corrupção e desvio de verbas, quem vai se preocupar com o gasto dos parlamentares com a "quentinha"?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Meias verdades, grandes mentiras?

É inegável que a imprensa tem cumprido, em parte, seu dever de "guardiã da sociedade", fiscalizando ostensivamente os desvios (éticos e financeiros) do Congresso Nacional. O problema se dá no direcionamento proposital das denúncias.

O verdadeiro fuzilamente que Sarney vem sofrendo da grande imprensa é, por um lado, justificável. Afinal, o presidente do Senado está intimamente ligado aos atos secretos, tem parentes vivendo às custas do dinheiro público, recebeu auxílio-moradia de R$3,6 mil por mês "sem que soubesse", não declarou mansão de R$ 4mi ao Tribunal Eleitoral, e levou um duro golpe com as recentes denúncias de desvio de verbas que a Fundação Sarney recebeu da Petrobrás (de acordo com o ESTADAO, dos R$1,3 mi repassados pela Petrobrás, ao menos R$ 500 mil foram para empresas fantasmas ou de firmas da família Sarney - veja matéria aqui).

São louváveis as denúncias que a imprensa tem promovido, bem como o trabalho investigativo da mesma. Escândalos e desvio de conduta dos nossos políticos não devem ser tratados com piedade. O problema é que só determinados parlamentares, selecionados a dedo pela grande imprensa, sofrem esse massacre.

Peguemos a denúncia envolvendo a Fundação Sarney, por exemplo. É mais do que merecido que Sarney sofra investicações e arque com as consequências (inclusive pode perder o mandato, já que quebrou o decoro parlamentar ao mentir, dizendo que não é responsável pela Fundação - ele é o presidente vitalício). Mas a imprensa poderia aproveitar a pauta e investigar outros casos semelhantes.

O Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC) angariou em 2002 R$ 5,7 mi para digitalizar o acervo do ex-presidente com incentivos fiscais da Lei Rounet (mesma aritimanha utilizada por Sarney para obter recursos da Petrobrás). A denúncia é do blog "Os amigos do Presidente Lula", que, apesar de ser claramente petista (o próprio nome já elucida), faz ótimas matérias investigativas. O que faz a imprensa dar tanto destaque às falcatruas de Sarney, mas não emitir sequer uma nota sobre o caso semelhante envolvendo o ex-presidente do PSDB?

Outro exemplo da partidarização da grande mídia é o senador Arthur Vigílio (PSDB-AM). O amazonense é o queridinho da imprensa, sempre tendo matérias a seu favor (ressaltando a sua "excelente oposição" ao governo Lula e levando o público a crer que é um baluarte da ética no Senado). Mas a história não é exatamente essa.

Os grandes veículos só destacam as denúncias que Virgílio faz de Sarney e dos atos secretos, mas não dão atenção ao fato de que o próprio tucano tem negócios escusos no Senado. Uma excelente e imperdível análise disso fez Luis Nassif em seu blog - veja aqui.

Mas o episódio que me motivou a escrever nessa fria tarde jauense não tem nada a ver com o Congresso. O Estadão de hoje trouxe, na página 8 do caderno Nacional, a seguinte manchete: " 'Quero fazer justiça ao Collor', diz Lula, ao elogiar o ex-presidente ".

A frase, retirada de seu contexto, leva o leitor a crer que Lula quer defender Collor (atualmente senador pelo PTB) do impeachment que o ex-presidente alagoano sofreu em 1992, após inúmeras denúncias de corrupção. A matéria também afirma, no primeiro parágrafo, que Lula comparou Collor ao ex-presidente Juscelino Kubitschek (considerado um dos melhores presidentes brasileiros). A matéria completa está aqui.

O leitor mais desavisado pode ser levado a crer que Lula enlouqueceu e resolveu andar de mãos dadas com um de seus maiores desafetos políticos (que o derrotou nas eleições de 1989, ocasião na qual o programa eleitoral de Collor veiculou denúncias de baixo nível para atingir o petista). Mas o discurso, na íntegra, desmente o jornal da família Mesquita. Veja abaixo:



Fica claro que Lula, ao dizer que "quer fazer justiça ao Collor", está se referindo ao fato do alagoano integrar a base aliada de Lula no Senado. E sua comparação a JK se deve por ambos terem visitado o Maranhão quando presidentes da República. O próprio Estadão elucida isso no decorrer da matéria, mas quem ler apenas a manchete e o lead terá outro entendimento.

Não vou entrar na questão política de Lula estar no mesmo palanque de Collor (já que nosso presidente petista há muito jogou ao ar suas convicções éticas para se tornar um político pragmático, fazendo aliança até com o Diabo para manter a tão chamada "governabilidade" no Congresso). O fato é que o Estadão tirou frases de Lula de seu contexto original, dando outros sentidos a elas.

Estes são só alguns exemplos de como a imprensa veicula certos fatos. Ao contrário de vários blogs (nitidamente maniqueístas - "PT é o céu e o PSDB o inferno", e vice-versa) acredito que não há mocinhos em nossa política nacional (claro, sempre há raras exceções). O problema é que a mídia escolhe a dedo quem será o massacrado da vez, favorecendo alguns políticos (e partidos) em detrimento de outros. É ela a detentora do poder de manipular o público, veiculando apenas a parte que lhe convém da história.

É esse o argumento que muitos militantes políticos utilizam para descredibilizar as denúncias da imprensa. Afinal: meias verdades são grandes mentiras. Certo? Não.

O direcionamento das críticas da imprensa é condenável, mas as denúncias, em grande parte, são comprovadas. Não é porque a mídia diliberadamente oculta fatos dos políticos com os quais simpatiza que os escândalos envolvendo os demais parlamentares devem ser esquecidos. O fato de só a Fundação Sarney ser manchete - enquanto o iFHC permanece imune - não é motivo para centramos toda nossa crítica à imprensa e esquecermos das denúncias pela mídia reveladas.

As meias verdades da imprensa não devem ser desqualificadas, mas sim investigadas, pois de fato são reais. Em contrapartida, a própria mídia deve ser pressionada para que seja mais honesta na veiculação das matérias. Vale novamente ressaltar: não há mocinhos nessa história.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Governabilidade em detrimento da ética

A perene crise que assola o Senado e, em maior dosagem, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB), colocou o PT em verdadeira saia justa. As denúncias envolvendo o ex-presidente da República (sendo a mais recente o desvio dos recursos cedidos pela Petrobrás à Fundação Sarney) exaltaram os ânimos no Senado.

Três partidos pressionam pela renúncia ou o afastamento de Sarney da presidência: DEM, PSDB E PDT. Juntos, somam 32 senadores. A esse grupo inclui-se Jarbas Vasconselos e Pedro Simon, as poucas exceções éticas do PMDB, e o também pemedebista Garibaldi Alves. Há também José Nery, único representante do PSOL na Casa. O saldo é este: 36 Senadores não compactuam com Sarney sentado na cadeira de presidente.

É óbvio que cada um tem seus interesses.

O DEM, por exemplo, foi o principal fiador da eleição de Sarney. Foram os 14 senadores do partido que possibilitaram a vitória do candidato do PMDB sobre Tião Viana, do PT, no início do ano. Além disso, Sarney tem fortes vínculos com o partido, desde o tempo em que este ainda era PFL. O DEM, agora, tenta tirar o corpo fora, jogando todo o peso da culpa sobre o presidente. Mas esse ato de traição vai mais além: é o partido quem comanda a primeira secretaria, apelidada de "cofre da Casa". Ou seja: querem usar Sarney como bode expiatório para todos os devios que o próprio partido ajudou a cometer.

Já o PSDB, além de exercer seu papel de oposição, tem outros interesses no afastamento de Sarney. O primeiro vice-presidente da Casa é, vejam só, o tucano Marconi Perillo. Se Sarney de fato se afastar, a presidência cairá de mão beijada nas mãos do PSDB. Caso renuncie, Perillo teria 5 dias para marcar novas eleições. O que a mídia não dá atenção é que trocar Sarney pro Perillo, do ponto de vista moral, é como substituir seis por meia dúzia. O tucano é alvo de quatro inquéritos no Supremo Tribunal Federal por supostos crimes cometidos quando era governador de Goiás. As acusações que recaem sobre ele deixam até Sarney no chinelo: formação de quadrilha, corrupção passiva e fraude em licitações.

Sobre Pedro Simon e Jarbas Vasconselhos não há críticas a fazer. Ambos, há tempos, têm se mostrado as raras exceções éticas no Senado e no PMDB. Já Garibaldi Alves, não é crime supor, tem como um dos motivos para pedir o afastamento o fato de ele mesmo ter sido preterido por Sarney para disputar as eleições presidenciais no início do ano (vale recordar que Garibaldi cumpriu um mandato tampão na presidência após a renúncia de Renan Calheiros).

Vamos, finalmente, ao PT. O Partido dos Trabalhadores, a mando de Lula, deixou claro que não é mais o baluarte da ética de tempos atrás.

Quando a crise estourou pra cima de Sarney, sete dos doze senadores do partido estavam inclinados a pedir o afastamento do presidente. Eis que Lula apareceu e deixou claro quem manda no partido. O presidente, então em viagem à Líbia, reafirmou seu apoio incondicional a Sarney. Até a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi escalada para proteger o senador.

Nos bastidores, Lula chamou sua bancada de senadores de "amadores" e ordenou o apoio a Sarney.

Pouco depois, o plenário assistiu a um visivelmente contrariado Aloizio Mercadante, líder do partido no Senado, defender Sarney na tribuna. Em sua fala, um verdadeiro desabafo do que levou o partido a cessar as críticas ao presidente da Casa:



Mercadante deixa claro o que levou o PT a reafirmar o apoio a Sarney. A frase já é clichê, mas não resisto à tentação de utilizá-la: o PT virou refém do PMDB.

No Senado, além da presidência, o PMDB possui 18 senadores. Um número extremamente valioso para que projetos de interesse do governo sejam aprovados e, acima de tudo, para barrar a oposição em questões danosas ao Planalto. Mas nem toda a bajulação que o PT faz ao PMDB impede que o aliado tome decisões contrárias aos interesses governamentais (a extinção da CPMF é o principal exemplo).

Além disso, temos as eleições de 2010. O maior temor do PT é que o PMDB apóie um candidato tucano (seja o paulista José Serra ou o mineiro Aécio Neves). Assim, o melhor aos petistas é não causar atritos com os pemedebistas.

Fora tudo isso, há o fato de, se Sarney se afastar, o PSDB ganhar a presidência do Senado.

Somando tudo, duas análises são cabíveis:

A primeira tem como parâmetro o âmbito político. Nesse quesito, não há como criticar a atitude do PT e, sobretudo, a de Lula. Politicamente falando, não há outra opção ao PT que não seja apoiar Sarney na presidência. Cai como uma luva o velho ditado: "Ruim com ele, pior sem ele". Seria nada menos que desastroso para o Planalto que um tucano presidisse o Senado em vésperas de eleições. Pior ainda seria não contar com o apoio da bancada do PMDB na obstrução das investigações da interminavelmente adiada CPI da Petrobrás (que, ao que parece, finalmente será instaurada na próxima terça-feira). Ou, em caso catastrófico, perder o apoio do partido para o PSDB. Assim, Lula tem razão ao qualificar de amadora a incipiente decisão da sua bancada de senadores de pedir o afastamento de Sarney. A imprensa tem afirmado que Lula, com toda sua popularidade, não precisa de ninguém para ter a governabilidade. Bobagem. Os 80% de aprovação popular que Lula detém de nada lhe ajudam na aprovação de projetos no Congresso.

Tendo a ética como parâmetro, porém, a atitude de Lula é decepcionante. O que dizer de alguém que 1989 não poupava críticas ao remanescente da ditadura (Sarney), e que agora lhe dá todo o apoio possível. Lula poderia dar um tácito apoio ao aliado, sem ter que passar por constragimentos, como quando argumentou que "Sarney, devido a sua biografia, não é um cidadão comum" e por isso não deveria ser julgado pela crise do Senado. É óbvio que a crise não é culpa exclusiva de Sarney, tampouco que seu afastamento irá mudar algo, mas essa defesa apaixonada que Lula faz (e obriga o PT a fazer) de Sarney tem decepcionado muito militante e simpatizante do partido. É de dar pena a desolação de Mercadante no discurso que postei acima.

É claro que nem todos do partido acataram a ordem de Lula. Os senadores Eduardo Suplicy, Marina Silva (ex-ministra do meio ambiente) e Tião Viana (que perdeu para Sarney as eleições no início do ano) continuam pedindo o afastamento do pemedebista. Mas são vozes solitárias, abafadas pelo coro partidário.

A partir de agora, o PT não irá pressionar Sarney, mas também não irá se expor na defesa do presidente do Senado. Irá agir tacitamente para mantê-lo na presidência. É uma pena que o partido, mais uma vez, tenha decidido pela governabilidade em detrimento da ética.

domingo, 5 de julho de 2009

De quem é a crise

Nas últimas semanas, a retumbante crise que aflige o Senado personificou-se na figura do presidente da Casa, o senador José Sarney (PMDB-AP). Aos desavisados, segue uma breve retrospectiva:

Sarney passou a presidir a instituição pela terceira vez (já o havia feito de 1995 a 1997 e entre 2003 e 2005) no início deste ano. Desde então, escândalos como o das passagens aéreas, do pagamento de horas extras a servidores durante as férias e do seguro de saúde (após seis meses no cargo, o senador e seus familiares são agraciados com um seguro de saúde vitalício, onerando anualmente dos cofres públicos R$17 milhões) vêm palpitando na imprensa. Mas foram os atos secretos que escancararam o tamanho da podridão que assola o Senado.

Foi a partir de então que a crise, que era da instituição como um todo, passou a ser catalisada na figura de Sarney. Fora ele quem, durante sua primeira presidência da Casa, contratou Agaciel Maia para diretor geral do Senado e João Carlos Zoghbi para diretor de recursos humanos da instituição. Desde então, os dois montaram um esquema que permitia, dentre outros, a contratação secreta de funcionários e aumento salarial (clique aqui e veja exemplo). Apelidado de "atos secretos" o esquema servia também para exonerar, sem publicidade, parentes dos senadores lotados em cargos políticos (o que configura como nepotismo cruzado). Exemplo disso é o irmão de José Sarney, Ivan Celso Furtado Sarney, exonerado do cargo de assistente parlamentar, e João Fernando Michels Gonçalves Sarney, neto do presidente, exonerado do gabinete do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA); ambos por ato secreto.

Pouco depois, foi descoberto que Adriano Cordeiro Sarney, outro neto de Sarney, operava um sistema de crédito consignado no Senado. Por meio da empresa Sarcris Consultoria, Serviços e Participação Ltda., Adriano intermediava a concessão de empréstimo de seis bancos aos servidores da Casa.

A situação complicou para Sarney após a recente denúncia de que ele não declarou à Justiça Eleitoral uma casa no valor de 4 MILHÕES DE REAIS. Sarney comprou a casa em 1997 do banqueiro Joseph Yacoub Safra, dono do Banco Safra. Desde então, disputou duas eleições (1998 e 2006) sem declará-la. O artigo 350, presente no capítulo 2 Código Eleitoral, classifica como crime eleitoral "Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais.”

Eis a mansão:


Foi justamente por não declarar à Justiça uma mansão, no valor de R$ 5 milhões de reais, que Agaciel Maia foi afastado do cargo de diretor geral do Senado (antes mesmo do escândalo dos atos secretos vir à tona).

A mansão não declarada de Sarney é sua residência em Brasília. Mesmo assim, de 2008 a maio deste ano Sarney recebia R$3,8 mil mensais de auxílio-moradia, destinado aos parlamentares que não possuem residência fixa na capital. Ou seja: além de não declarar a mansão, Sarney ainda recebia um auxílio (equivalente a mais de 7 salários mínimos) por supostamente não morar em Brasília.

Apesar de tudo isso, Sarney declarou: "A crise não é minha". Veja abaixo trechos do discurso, feito em 16/06 na tribuna do Senado:




José Sarney está certo. Por ter presidido três vezes o Senado, ele tem a maior parcela de culpa de toda essa crise. Afinal, foi ele quem trouxe Agaciel Maia, Zoghbi, entre outros, e aparelhou a Casa de modo a possibilitar todo e qualquer desvio de ética. Porém, não deve ser crucificado sozinho pelas recentes denúncias, tampouco ser nomeado o responsável pelo sangramento do Senado. Afinal, o Senado está ferido há tempos.

Somente de 2000 para cá, foram inúmeros escândalos e dois presidentes renunciaram. Em 2001, o então presidente do Senado Jáder Barbalho (PMDB) renunciou após denúncias de corrupção e desvio de verbas, que somavam mais de R$ 3 bilhões. Em 2007, Renan Calheiros (PMDB-AL) deixou a presidência após a revelação de que pagava a pensão do filho que teve com a ex-amante Monica Veloso com dinheiro de um lobista de uma empreiteira.

Portanto, Sarney não é o primeiro presidente do Senado envolto à escândalos, tampouco o único detentor do poder lá dentro.

Poucos sabem, por exemplo, que o DEM comanda a primeira secretaria há dez dos últimos 18 anos. É ela que gerencia a maior parte do orçamento do Senado (por isso é apelidada de "cofre" da Casa). A ela também é subordinado o diretor geral do Senado (cargo que era ocupado por Agaciel Maia). Com o mínimo de investigação, com certeza muitos escândalos lá serão descobertos.

A mídia também não deu destaque ao fato de mais de 40 senadores (de um total de 81, ou seja, quase a metade) terem se beneficiados dos atos secretos editados pro Agaciel Maia.

O saldo de tudo isso é o seguinte: Sarney tem enorme responsabilidade por essa crise atual, porém não deve ser crucificado sozinho. Sua renúncia ou afastamento, embora necessários, não sanarão os males do Senado. É necessária uma investigação plena na Casa, envolvendo todos os senadores, gabinetes, diretores e funcionários. Mas, sobretudo, é imprescindível uma mudança de costumes na política brasileira. Ou seja: o problema não será resolvido tão cedo.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Protógenes e a política:

No último post citei os relacionamentos políticos de Protógenes Queiroz. Pois bem, aí está um vídeo do (ex?) delegado fazendo propaganda para o petista Paulo Tadeu D´Arcadia, que concorreu à prefeitura de Poços de Caldas (MG) em 2007.



Apenas para constar: D´Arcadia foi derrotado no segundo turno das eleições.

domingo, 19 de abril de 2009

Protógenes, a farsa?

Protógenes Pinheiro Queiroz. Todos cidadão brasileiro com o mínimo de atenção à mídia sabe que esse é nome do delegado da polícia federal mentor da operação Satiagraha, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, do investidor Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Também não é novidade que agora é Protógenes quem está sendo investigado, sob suspeita de ter utilizado ilegalmente agentes da Abin, de ter feito grampos ilegais e de ter vazado informações à mídia. Acusações estas que o delegado atribui como obra de Dantas, que teria usado sua poderosa influência para inverter os papéis e promovê-lo a bandido da história.

Pois bem, não vou adentrar nas entranhas da operação Satiagraha. Escutas ilegais, agentes da Abin, vazamento de informações... tudo isso ainda será motivo de muita discussão. Vou centrar-me apenas na figura de Protógenes Queiroz.

O delegado está acostumado a operações midiáticas. Foi ele quem averigou a parceria entre Corinthians e MSI, participou das investigações que resultaram na prisão de Paulo Maluf por lavagem de dinheiro e "pilhagem dos cofres públicos" (segundo escreveu no relatório da operação) e encarcerou King Chong, o maior contrabandista do Brasil. Segundo dizem, Protógenes é obcecado em desvendar crimes financeiros.

Essa obcessão, porém, levou-o a cometer graves equívocos na Satiagraha. Na ânsia por colocar Daniel Dantas atrás das grades (lugar que lhe é mais do que merecido, diga-se de passagem), Protógenes acabou deslegitimando as provas obtidas. Quando Gilmar Mendes liberou Dantas da prisão, Protógenes iniciou uma cruzada.

Auto intitulando-se "cavaleiro da esperança" (tal qual Luís Carlos Prestes), Protógenes começou a percorrer o Brasil denunciando a perseguição que vinha sofrendo e alertando a população sobre as mazelas da corrupção no Brasil. É nesse momento que começo a ter dúvidas sobre os reais objetivos do delegado.

Protógenes começou a se aproximar do PSOL. Era o partido quem promovia as palestras do delegado e o levava a discursar em comícios. Luciana Genro (deputada federal pelo Rio Grande do Sul) e Heloísa Helena (atualmente vereadora em Maceió) eram constantemente fotografadas ao seu lado. A aproximação era cada vez maior. Surgiram boatos de que o delegado tinha ambições política futuras, e para isso usava o PSOL para ter maior exposição à mídia (e ao eleitorado).


Tasso Marcelo - Agência Estado

"Entrar na política seria a última coisa que eu pensaria" , afirmou o delegado, que também considerou as manifestações de políticos em seu apoio como tradução de um sentimento de indignação da sociedade contra a corrupção. A declaração foi dada em 1 de dezembro de 2008, e está disponível em http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac286794,0.htm.

É no mínimo curioso constatar a mudança de seu discurso. "Para falar a verdade, eu não tenho simpatia para ser político não, e sim para ser delegado de polícia. Mas não posso desprezar toda essa vontade popular. Tenho de considerar com muito respeito e carinho". A declaração data de 19 de março de 2009, e está disponível em http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac341639,0.htm.

Fica a dúvida: qual o verdadeiro intuito de Protógenes?

Não duvido nem um pouco de sua obcessão em colocar Daniel Dantas atrás das grades. E todos temos que aplaudir seu esforço, que considero verdadeiro e legítimo, em sanar o Brasil do mal da corrupção. Porém, está cada vez mais evidente que Protógenes é um grande narcisista com claras ambições políticas.

Prova de seu narcisismo é seu blog, http://blogdoprotogenes.com.br/. Nele, o delegado constantemente "superfatura" seu esforço e exacerba a perseguição que vem sofrendo, e utiliza-se de frases já bem consagradas entre os políticos populistas, exaltando a sua fé cristã e clamando o povo brasileiro a apoiá-lo. Exemplo: "É por intermédio de minha fé cristã - e com esse imenso apoio popular - que diariamente renovo minhas forças contra toda injustiça!".

Mas o que mais chama atenção é a sua aproximação do PSOL. Isso configura-se como atividade político-partidária, proibida pelo artigo 43, inciso 12, da Lei 4.878/65 do regime jurídico da Polícia Federal. O partido, inclusive, custeou viagens do delegado com dinheiro da União. Segundo divulgou o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, Luciana Genro emitiu de seu gabinete ao menos duas passagens de Protógenes a Porto Alegre. A prática, em si, não é ilegal, já que todo parlamentar tem uma cota de viagem para ser gasta em eventos políticos. A própria deputada federal explica: "Se não usarmos nossa cota de passagens, elas são canceladas. Acho normal que possam ser usadas para fazer política". O PSOL está certíssimo. Há pouco foi escancarado o escândalo das passagens aéreas. O deputado Inocêncio de Oliveira (PR-PE), por exemplo, usou suas cotas para que esposa, filhas e netas viajassem para os EUA e Europa. Portanto, o PSOL não feriu de nenhuma forma a constituição federal (embora eu seja veementemente contra essa cota de passagens aéreas, que serão abordadas num futuro post). Quem quebrou as regras foi o delegado.

Mas esse não foi o primeiro envolvimento de Prototógenes com política. Tramita na justiça um processo que investiga a participação do delegado em comícios de Paulo Tadeu D´Arcadia (PT) em sua candidatura à prefeitura de Poços de Caldas. Por isso, Protógenes foi afastado da Polícia Federal no dia 13 abril. Há fortes indícios de que será expulso da corporação.

Enfim, Protógenes está cada vez mais presente na mídia, e é evidente seu esforço para que a exposição seja cada vez maior. Se for expulso da Polícia Federal, o que provavelmente acontecerá, terá caminho livre para seguir carreira política. Popularidade ele já tem. Partido, parece que também. Resta saber a que cargo ele será postulante. Deputado Federal? Provavelmente. Senador? Quem sabe. Os mais audaciosos apostam até que ele seja candidato a vice-presidente nas eleições de 2010, com Heloisa Helena concorrendo à presidência.

O fato é que as ambições do delegado não ficam restritas ao encarceramento de Daniel Dantas. Talvez ele possa fazer mais pelo Brasil entrando na política. Talvez. Mas todos devemos ter cuidado com Protógenes Queiroz, pois seu egocentrismo e sua ânsia pela popularidade podem levá-lo a tomar atitudes meramente populistas e fazer declarações que não condizem com a verdade. Prova disso são suas inúmeras contradições na CPI dos Grampos. Na política vale tudo, e as versões valem mais do que os fatos em si. Temos que ter cuidado com a versão proferida por Protógenes. Pode haver um lobo nessa pele de cordeiro.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Propaganda em detrimento do trabalho

A crise econômica recrudesce cada vez mais, chegando a derrubar nosso PIB em 3,6% no último semestre de 2008. Fábricas fechando e aumento do desemprego clamam por um trabalho redobrado, tanto na esfera Federal quanto no âmbito Estadual, de nossos governantes. Estes, porém, preocupam-se com um outro problema: eleições de 2010.

Os três principais postulantes à faixa presidencial já iniciaram, cada um a sua maneira, a corrida rumo ao cargo mor da nação. Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e José Serra (PSDB) não querem deixar para depois o que se pode fazer hoje, e estão levando a sério o ditado “Deus ajuda quem cedo madruga” (neste caso, o protagonista da ajuda será o eleitor).

A campanha de Dilma Rousseff tomou força logo após a plástica realizada em seu rosto. Se beleza fosse motivação de voto, Serra deveria tomar cuidado (ao menos uma implantação de cabelo seria essencial). A Ministra da Casa Civil vem desde então multiplicando sua participação em eventos oficiais, aproveitando ao máximo o título de “mãe do PAC” para promover e presenciar qualquer inauguração, fiscalização ou término de obras. Em quase todos os eventos um palanque é erguido e a candidata petista não exita em praticar sua habilidade em comícios. Habilidade esta que precisa, e muito, ser aprimorada, já que a ministra ainda abusa de termos técnicos estranhos ao eleitorado.

Todo o esforço está sendo recompensado. Praticamente não há edição do noticiário em que Dilma não esteja presente. No jornal ESTADAO, por exemplo, a foto da petista é estampada quase que diariamente. Ressalta-se que as matérias em que ela é citada não são favoráveis (muito pelo contrário), mas a frase “bem ou ruim, o importante é que falem de mim” deve ser levada a sério.

Pesquisas de opinião datadas do início de 2008 revelavam uma ínfima preferência do público por Dilma (ela perdia, inclusive, para Heloísa Helena – PSOL - e Ciro Gomes – PSB). Atualmente o cenário é outro. A ministra receberia 13,5% dos votos na disputa com Serra e Heloísa Helena -uma subida de três pontos percentuais em relação ao mês de dezembro, quando registrou 10,4%. Se continuar assim, Dilma terá enormes chances de ser eleita a primeira presidenta brasileira.

PSDB

O tucanato deveria ter motivos de sobra para sorrir. O governador paulista José Serra é disparato o preferido do público para assumir a presidência, ostentando mais de 30 pontos de vantagem sobre Dilma. Porém, o cenário não é para sorrisos. O governador mineiro Aécio Néves, diante dos recordes de aprovação em minas e dono de um competente choque de gestão no estado, também está na disputa.

Há muito Aécio reclamava para si um lugar na disputa. Sentindo-se preterido pelo PSDB e injustiçado por não ter espaço na disputa com Serra, cogitou-se até sua saída do partido. O PMDB, aliás, ainda mira nessa possibilidade. Em recente evento de lançamento da pré-candidatura do ministro das Comunicações, Hélio Costa, ao governo de Minas, os pemedebistas gritaram em massa: “Doutor, eu não me engano, o Aécio não é tucano”. O PMDB já não mais esconde seu assédio a Aécio, sonhando assim em ter seu próprio candidato presidencial para 2010 e não mais ser apenas um coadjuvante (isso nas eleições, é claro, pois é impossível governar sem o apoio da máquina pemedebista, que angariará ao partido um punhado de Ministérios e estatais).

Diante das reclamações do mineiro, o PSDB decidiu pela realização de prévias para a escolha do candidato. Será algo semelhante à disputa de Hillary e Obama no Partido Democrata: os filiados ao PSDB escolherão quem representará o partido no embate de 2010.
O maior medo é que a disputa interna não seja saudável, ou seja, que Aécio e Serra promovam atritos que acabem por prejudicar a ambos. Isso seria um desastre para as pretensões do partido, já que Minas Gerais e São Paulo são estados chaves para se vencer uma eleição. Mas o principal problema é outro.

Tanto Serra quanto Aécio terão que percorrer o país para divulgar seus nomes aos tucanos. Isso acarretará em gastos ao partido e, principalmente, na ausência dos governantes em seus estados. Assim, o PSDB não terá moral alguma para criticar a campanha antecipada de Dilma e sua aparente ausência do Gabinete da Casa Civil.

Aécio teria a solução para não atrapalhar o trabalho como governador. Declaração dele publicada no ESTADAO nesta terça-feira afirma que bastaria viajar aos fins de semana. E propôs fazer as viagens juntamente com o governador paulista. No papel (e supondo-se que vivemos no mundo perfeito) seria uma boa idéia, já que as viagens não impediriam os afazeres como governador e serviria para que ambos conhecessem a realidade do Brasil.

Mas o conto-de-fadas logo foi desfeito. Manchete de uma matéria do próprio ESTADÃO na quinta-feira: “Aécio começa segunda-feira giro pelo país em defesa das prévias”. Segundo o jornal, o mineiro viajará segunda-feira para Recife e um dos objetivos é a divulgação de seu nome para as prévias. Mas não foi ele quem disse, apenas um dia antes, que as viagens seriam aos fins de semana? Segunda-feira é dia vago para os mandantes do Executivo?

Serra não quis entrar nessa de viajar. Afirma que a hora é de trabalhar. Ótimo. Mas o governador paulista não revela que, a exemplo de Dilma, tem freqüentado inaugurações de obras com uma assiduidade exacerbada. Sem contar que, não obstante repreender a atitude de Aécio de fazer uma turnê pelo país, estará segunda-feira no Recife com o mineiro.

O fato é que a disputa iniciou-se muito cedo. Não há mocinhos: Dilma, Serra e Aécio estão prestando um desserviço à nação com o palanque eleitoral montado em 2008. A crise não é uma “marolinha”, tal qual Lula havia chamado em setembro do ano passado. Ela está causando muitos estragos ao país e seria, no mínimo, interessante que os comandantes da nação ficassem à frente de suas tarefas, e não preocupados com uma disputa ainda distante. Se continuarem assim, o vencedor dos três assumirá um Brasil extremamente debilitado. E parte da responsabilidade disso será deles próprios.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A Farra do STF

O Supremo Tribunal Federal, instância máxima do Judiciário brasileiro, está pressionando o Congresso para ter um reajuste salarial de 13,1%. Os "supremos ministros" estão descontentes com o salário atual, que não sofre aumento desde 2006. Aos desatentos pode parecer que a reivindicação é justa, se considerado o fato de que estão há 3 anos sem aumento. Mas com o mínimo de atenção pode-se depreender que essa é uma atitude vergonhosa dos mais poderosos magistrados brasileiros.

O salário de um ministro do Supremo é de R$ 24,5 mil, o mais elevado do funcionalismo público brasileiro, sendo assim o teto salarial do setor público do país. Portanto, todos os demais funcionários públicos devem receber um valor idêntico ou menor a este. Além disso, grande parte dos salários bancados pela União é definida tomando-se por base esse valor.

Se de fato o subsídio dos ministros for contemplado com acréscimo de 13,1%, chegará a R$ 27,7 mil. Um ganho de R$ 3,5 mil reais (7,5 vezes o salário mínimo brasileiro). Como o aumento será automaticamente aplicado a toda magistradura federal, o gasto total para a União será de R$ 347 milhões. Por si só esse valor já é um absurdo, mas a farra nos cofres públicos pode ser ainda maior.

Como muitos setores públicos tem seus salários vinculados ao dos Ministros do Supremo (já que o salário destes é o teto), muito provavelmente ocorrerá um efeito cascata. Dessa forma os Advogados da União, Delegados da Polícia Federal e Deputados Federais, por exemplo, podem receber um upgrade em suas contas bancárias. Além disso, o aumento pode influenciar também no pagamento aos Vereadores e Deputados Estaduais.

O efeito cascata terá resultados imprevisíveis. Todos vão querer seu pedaço do bolo.

O que pensam, então, os mandantes do Judiciário brasileiro ao reivindicarem esse abjeto aumento? Como podem os juízes mais importantes do país, responsáveis por julgar causas inerentes aos interesses da nação, serem tão insensíveis aos interesses nacionais? Os ministros já recebem o mais bem pago salário do país, e por R$3,5 mil a mais no bolso ao fim do mês causarão um rombo exorbitante aos cofres públicos. O mérito do aumento é constitucionalmente justo, mas moralmente deplorável.

Em tempos de crise econômica, com o desemprego batento à porta das indústrias e o governo necessitando conter os gastos, o Supremo, que supõe-se abrigar alguns dos mais dignos brasileiros, decide pelo benefício pessoal em detrimento da nação.

Como talvez dirá (ou já tenha dito) Boris Casoy sobre o assunto: isso é uma vergonha.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A volta de quem não foi

Há 50 anos, José Sarney ingressava na vida pública. De lá para cá foi deputado, senador ,governador e presidente da república. Com 77 anos, ostenta o título de político em atividade com a ficha mais eminente. Ficha esta em que será acrescido novo mandato de presidência do Senado, presidindo pela terceira vez o Congresso Nacional.

Desde que Sarney se lançou postulante à presidente do Senado, em detrimento de Garibaldi Alves, poucos ousaram apostar em sua derrota. Gabando-se de uma aliança com vários partidos (somente a bancada de PMDB e DEM já somava 24 votos), que, segundo suas contas, lhe renderia 55 votos de um total de 81, e de ter a simpatia do Planalto, Sarney sabia que a vitória era praticamente certa.

O PSDB bem que tentou impedir a volta do ex-presidente. No último momento, os líderes tucanos Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, Arthur Vigílio, líder do partido no Senado e Tasso Jeireissati, ex-presidente do PSDB, se reuniram com Tião Viana e firmaram apoio ao candidato petista.

Pode-se pensar que os tucanos agiram em prol da ética, repudiando tanto o anacronismo de Sarney quanto a volta de Renan Calheiros, o poder principal articulador da candidatura do ex-presidente. Pode até ser que seja isso, mas a política brasileira há muito não é um conto de fadas (se é que já foi um dia).


O PSDB pediu a Sarney cargos importantes na mesa diretora do Senado: primeira vice-presidência e a quarta-secretaria. Além disso, queria a Comissão de Assuntos Econômicos para o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e a Comissão de Relações Exteriores para Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Os pedidos forar feitos tardiamente. Naquela altura Sarney já havia aberto uma boa vantagem para Viana e o PSDB perdido o papel de fiel da balança. A solução foi apoiar Tião Viana, que concederia os cargos aos tucanos. Com isso, os 13 senadores tucanos passaram a apoiar o candidato petista (com exceção de Papaléo Paes - PSDB-AP- que apoiava abertamente Sarney).


A diferença entre Sarney e Tião Viana passou a ser, em sondagens informais , de cerca de 3 senadores. Tal qual uma fênix, o petista ressurgiu das cinzas. Havia , porém, uma outra questão: as traições. E foram elas quem decidiram o pleito.


O resultado final foi de 49 votos para Sarney, contra 32 para Viana. Foi uma boa vantagem, mas muito inferior às obtidas anteriormente: em 1995 foi eleito por 61 a 7, e em 2003 obteve 76 votos.


Enquanto isso, Michel Temer foi novamente eleito presidente da Câmara. Tala qual Sarmey, será a terceira vez que ocupará o posto. O pemedebista obteve 304 votos, desbancando Ciro Nogueira (PP-PI), com 129, e Aldo Rebelo (PT-SP), que teve 76 votos. Temer já havia comandado a Casa nas eleições de 1997 e 2000.


SALDO FINAL

O PMDB saiu extremamente fortalecido das eleições. Com a dobradinha Câmara-Senado, comandará um orçamento de cerca de 6 bilhões de reais, além de influenciar a escolha dos cargos na mesa diretora e em comissões. Mas, principalmente, todos os projetos do governo terão que passar pelo crivo dos pemedebistas. Já virou clichê, mas a frase é sempre válida: o PT ficou ainda mais refém do PMDB.

Nesses dois anos restantes de governo Lula, será o PMDB quem dará as cartas. E ao PT restará o esforço de tentar manter seu principal aliado. Isso porque, de acordo com pesquisas e com o panorama atual, há grandes chances do futuro presidente ser o tucano José Serra. Não resta dúvidas de que o PMDB ficará seduzido a apoiar o PSDB (visando ministérios, secretarias e cargos em empresas estatais), em detrimento de um apoio a uma candidata petista fadada à derrota. Portanto, se Dilma Rouseff não emplacar (atualmente detém menos de 15% da preferência do brasileiro, contra mais de 40% de José Serra), é muito provável que o PMDB passe a sustentar a base aliada tucana.

Tal fato escancara as mazelas da política nacional. O PMDB, atualmente o maior partido do país, não utiliza seu poder em prol de mudanças benéficas ao Brasil. Em vez disso, sua opulência é meio de chantagem ao Executivo para que seus filiados possam assumir o maior número de cargos possível. E é por isso que, durante dois anos, vislumbraremos o bigode de Sarney, símbolo do anacronismo e da política em prol pessoal e partidário, reluzir na mídia.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

É uma cilada, Bino

A atual grande polêmica rondando o Planalto tem nome e sobrenome: Cesare Battisti. Aos que desconhecem a história, segue um breve resumo:

Cesare Battisti é um italiano condenado à prisão perpétua em seu país, acusado de assassinar 4 pessoas quando era membro do grupo esquerdista radical Proletários Armados para o Comunismo (PAC - curiosamente, a mesma sigla do pacote de obras do governo federal). Para escapar da prisão, Battisti se refugiou em vários países, até vir ao Brasil. Na França, último país em que se refugiou antes de partir para o solo tupiniquim, o italiano tornou-se um escritor, obtendo relativo sucesso. Eis o homem:


http://www.repubblica.it/2008/04/sezioni/esteri/battisti-estradizione/battisti-estradizione/stor_10025912_59160.jpg


Agora entra a polêmica: a justiça italiana quer, a todo o custo, a extradição de Battisti. Exige que o "terrorista" cumpra a sentença e fique perpetuamente encarcerado. Pedem sua extradição desde 2007, ano em que o acusado foi preso pela Polícia Federal brasileira. Porém, o ministro da Justiça, Tarso Genro, surpreendeu a todos semana retrasada ao conceder o asílio político ao italiano. E aí começou o inferno.

Segundo Tarso, Battisti não teve um julgamento justo na Itália. De fato, a condenação para cumprir prisão perpétua foi feita à revelia do acusado, ou seja, sem a presença do mesmo no tribunal. Além disso, uma das principais testemunhas contra Battisti, Pietro Mutti, foi favorecida pela "delação premiada" (é, basicamente, quando a pena é amenizada se dedurar os coleguinhas). O italiano, que não teve oportunidade de se defender, nega veementemente a autoria dos crimes e afirma que, apesar de ter pertencido à luta armada durante a juventude, hoje é um pacífico escritor.

Contra Battisti pesam algumas testemunhas, que afirmam que ele participou, dentre outros crimes, do assassinato do joalheiro Luigi Pietro Torregiani em 16 de fevereiro de 1979; a justiça italiana; o parecer do Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), órgão responsável por julgar casos de asilo em primeira instância, de negar o asilo político; e seu passado repleto de pequenos delitos (que a justiça italiana utiliza para considerar seus crimes como "comuns" e não "políticos").

Realmente não há como julgarmos se Cesare Battisti é ou não um criminoso que merece pagar pelos crimes passados. Há vários (bons) argumentos de ambos os lados. Portanto, não vou entrar no mérito da decisão de Tarso Genro. Esteja ele certo ou errado, a confusão está armada.

A Itália repudiou duramente a decisão brasileira de conceder o asilo a Battisti. O presidente italiano, Giorgio Napolitano, mandou uma carta a Lula criticando sua decisão. Até aí, tudo bem. Porém, o conteúdo da carta, extremamente ofensiva, foi divulgado para a imprensa italiana, antes mesmo do presidente brasileiro lê-la. Fala-se muito do desastre diplomático que a decisão de Tarso Genro acarretou, mas não se considera a arrogância do governo italiano. De que ajudou Napolitano revelar o conteúdo da carta? Apenas serviu para exaltar, ainda mais, os ânimos. Certa ou errada, a decisão do presidente Lula foi soberana. O Brasil tem tradição de conceder asilo diplomático, e tem amparo legal para tanto. Portanto, a Itália tem o direito de ficar indignada, mas deve resignar-se perante a soberania brasileira. Não adianta enviar (e divulgar) cartas com críticas ofensivas e fazer ameaças de represálias (como vetar a participação brasileira no G-20 - já que a Itália é a presidenta do grupo esse ano). Mesmo que Tarso Genro esteja moralmente errado, está legalmente amparado.

Fora a polêmica diplomática (que, com toda certeza, ainda terá vários capítulos), há ainda uma outra. Um dos advogados de Cesare Battisti é Luiz Eduardo Greenhalgh. Lembra-se dele? Vou refrescar a memória: filiado ao PT, ele já foi eleito deputado federal por 4 vezes. Recentemente ele esteve envolvido em outra polêmica: era um dos advogados de Daniel Dantas e foi acusado de utilizar sua influência dentro do partido e do planalto para livrar seu cliente. Há, portanto, a suspeita de que Greenhalgh influenciou Genro a tomar a decisão pelo asilo político a Battisti


E agora?

Provavelmente o caso será julgado pelo STF, que, ao que tudo indica, manterá o asilo político. A Itália continuará pressionando. Só espero que Lula mantenha sua decisão e continue apoiando Tarso Genro. Não que eu simpatize com Battisti. Já afirmei que não há como ter certeza se ele é ou não criminoso. Porém, o Brasil deve exercer sua soberania e não ceder à pressão Italiana, caso contrário passaria a imagem de um país fraco. Mesmo que esteja errado, nesse caso Lula deve persistir no erro.

Enfim, a culpa é toda de Battisti. Essa verdadeira cilada veio parar justo no Brasil. Da próxima vez, vá pára a Argentina!!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Tchau, Garibaldi

Já havia dito o senador norte-rio-grandense: "É mais fácil dizer não ao Lula do que a Renan Calheiros e José Sarney". E não deu outra. Garibaldi desistiu oficialmente da disputa à presidência do Senado, deixando o caminho livre para a candidatura de Sarney (que, dizem, será oficializada na próxima quarta-feira).

Até aí, nenhuma novidade. A entrada de Sarney na disputa, em detrimento de Alves, já era esperada. Porém, o que surpreendeu muita gente foi a permanência de Tião Viana (PT-AC) no embate. Sarney havia dito que só seria candidato se seu nome fosse consenso entre todos os partidos, daí o raciocínio de que o candidato petista sairia da disputa.

O PT, porém, não quer ficar refém de um PMDB comandante das duas Casas. Com Michel Temer e José Sarney presidindo Câmara e Senado, respectivamente, o Planalto teria que ser ainda mais generoso com os pemedebistas, já que é primordial a aprovação dos projetos governistas nesses dois últimos anos de mandato te Lula para que o PT posso angariar capital político suficiente para eleger Dilma Rousseff.

Assim, Tião Viana mantém sua candidatura, com o aval do PT e aliançado a PT, PSB, PDT, PR, PRB e PSOL, totalizando 27 votos, de um total de 81 senadores. É pouco. O PMDB de Sarney, sozinho, detém 20 votos. O DEM, que já deu a entender que apoiará o ex-presidente da república, contabiliza mais 13 votos.

O fiel da balança na disputa será o PSDB, com 13 senadores. E, aí, tudo pode acontecer.

Os tucanos teriam maior vantagem apoiando Sarney. Assim, jogariam mais lenha na fogueira da discórdia que começa a se acender entre PMDB e PT (já há petistas afirmando que deixarão de votar em Temer na Câmara). Dessa forma, complicariam os dois últimos mandatos de Lula e, principalmente, veriam mais próximo o tão almejado sonho de ter o PMDB como aliado na disputa presidencial de 2010.

Há, contudo, um porém. O PSDB foi, junto ao DEM, um crítico ferrenho de Renan Calheiros durante o escândalo envolvendo o ex-presidente do Senado, e um dos principais entusiastas com a sua cassação do cargo. Pois bem. Eis que Calheiros é o atual líder do PMDB e um dos protagonistas da entrada de Sarney na disputa. Seria uma enorme incongruência se os tucanos apoiassem a volta daquilo que tanto combateram.

Quem está sorrindo à toa, é claro, é o PMDB. Com grandes chances de assumir a Câmara e o Senado, o maior partido do país terá ainda mais poder nesses últimos dois anos de governo Lula. Além disso, é visado tanto pelos petistas quanto tucanos para ser aliado para 2010. São as vantagens de ser o maior partido do país...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

E agora, Maquiavel?

E o caso Dantas recebe novamente destaque na mídia. Porém, o banqueiro do Opportunity deixou de ser o protagonista das manchetes, tomando o seu lugar justamente o mentor da operação Satiagraha, o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz.

A última grande aparição de Queiroz na mídia foi em 5 de novembro, quando a PF invadiu seu apartamento em São Paulo e apreendeu alguns de seus pertences para análise de perícia, com o intuito de descobrir se houve irregularidades durante a operação que prendeu Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta, dentre outros.

Umas das irregularidades seria a utilização dos "arapongas" da Abin pela PF na espionagem do banqueiro e seus comparsas.

Pois bem, após um certo período de ausência na imprensa, limitando-se a aparecer em pequenas matérias sobre sua aparição em comícios do PSOL, fato que levantou suspeitas sobre uma futura carreira política, Protógenes foi hoje novamente manchete.

A perícia em dois pen drives, recolhidos do apartamento do delegado em novembro, revelou que a PF monitorou Nélio Machado, advogado de Dantas. São várias as fotos e arquivos de áudio envolvendo o advogado, provando que o mesmo foi espionado. Resta saber se foi pela PF ou pela Abin.

Independente do agente da espionagem, já há irregularidades. A Constituição proíbe que os advogados sejam investigatos, restringindo aos clientes dos mesmos as investigações. Portanto, a espionagem foi ilegal.

Que Protógenes Queiroz tem boas intenções, ninguém duvida. O Brasil precisa de mais homens assim, com sede de justiça. Porém, na ânsia de provar os crimes de Dantas e levá-lo a cadeia, o delegado cometeu delitos que terão efeito contrário: pode ser que as provas recolhidas na Satiagraha sejam consideradas ilegais, anulando todo o processo. Significaria o seguinte: todos os crimes cometidos por Daniel Dantas estão fisicamente provados, porém as provas não tem nenhum valor legal. Todos sabem que o banqueiro é culpado, mas não há amparo na lei para a sua condenação, graças aos deslizes de Protógenes.

Aí é que está: os fins realmente justificam os meios? Protógenes utilizou de todos os meios possíveis - legais ou não - para recolher provas concretas contra Dantas. Esse objetivo foi alcançado. Mas, agora, corre o risco de todas essas provas serem descartadas. Será que Maquiavel estava certo?


Olha o Sarney aí, gente - Parte 2

Os postulantes à presidência do Senado, Tião Viana (PT-AC) e Garibaldi Alves (PMDB-RN), estão "receosos" (utilizando-se de eufemismo) com a possível entrada do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) na disputada. Preferido pelo Planalto, Sarney diz estar gripado e só aceita conversar com Lula semana que vem. Na realidade, espera que haja um acordo para que seu nome seja um consenso tanto do PT quanto PMDB.

Enquanto isso, Garibaldi e Viana não ficam parados.

Segundo informou o Estadão, Viana teria ligado para Garibaldi para firmarem um acordo, no qual ambos manteriam a candidatura, mesmo com a entrada de Sarney.
-Você mantém a candidatura, mesmo se o Lula pedir que saia? - disse Garibaldi
-Mantenho. E você, mantém mesmo se o PMDB pedir que desista? - questionou o petista
-É mais fácil dizer não ao Lula do que ao Sarney e ao Renan Calheiros... - filosofou o pemedebista

Pois é, a briga vai ser feia.




terça-feira, 13 de janeiro de 2009

OLHA O SARNEY AÍ, GENTE!

Em meu último post (há uma semana, já que a preguiça me impediu de escrever mais), afirmei que a disputa à presidência do Senado seria um difícil embate entre Garibaldi Alves (PMDB-RN) e Tião Viana (PT-AC). Pois bem, parece que o embate tomará novos rumos.

Como disse anteriormente, Garibaldi Alves não é consenso entre o PMDB, tão pouco visto com bons olhos pelo PT, pois, apesar de pertencer à base aliada do governo, toma decisões consideradas "independentes". Ou seja: não é um mero cordeiro guiado pelas decisões do Executivo, perfil que este gostaria que tivesse o presidente do Senado. Além disso, a canditadura de Alves pode ser considerada ilegal, já que a reeleição é proibida num mesmo mandato de senador. Quanto a isso, o postulante norte-rio-grandense garante ter consultado 6 famosos jurídicos, com todos afirmando que a candidatura é legítima.

Ao PMDB, porém, a deculpa de uma possível candidatura ilegal de Garibaldi é um excelente pretexto para lançar um nome que é bem visto tanto no partido quanto no PT: o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP).

Até meados do ano passado Sarney era quase consenso entre os especialistas como novo presidente do Senado. Além de sua experiência como ex-presidente da República, agrada tanto à base aliada quanto à oposição (já foi filiado ao PFL, hoje DEM). Além disso, é visto pelo Executivo como alguém que não arranjaria problemas. Sua candidatura só não prosperou por um problema familiar: sua fiha, a também senadora Roseane Sarney (PMDB-MA), está passando por problemas de saúde e vem sofrendo diversas cirurgias para tratar de um aneurisma cerebral.

Mas por que sua candidatura voltou a tomar força?

A resposta é simples: o PT teme que a disputa no senado com o PMDB resulte em atritos com o seu principal parceiro, que será vital nas eleições de 2010 (e já vem recebendo assédio do PSDB). Como Sarney é bem visto em ambos os partidos, sua candidatura solucionaria o problema.

Tião Viana seria, então, descartado. Mas o preterido não sairia de mãos vazias: a ele seria entregue um importante cargo, talves até ministerial (o Ministério da Saúde é o mais cotado, já que o atual ministro, José Gomes Temporão, está extremamente desgastado politicamente por suas críticas a Funasa).

Apesar dessa mudança, o resultado continua o mesmo: é muito provável que o PMDB detenha a presidência da Câmara e do Senado, saindo extremamente fortalecido. E qualquer partido que aspire à Presidência da República em 2010 não será louco de bater de frente com ele.

DILMA VERSÃO 2009

Se restavam algumas dúvidas sobre a candidatura da petista Dilma Rousseff para a presidência da República em 2010, elas provalvelmente foram sanadas. A atual ministra da Casa Civil estreou o ano com um novo visual, que inclui deste plásticas no rosto até muança no corte de cabelo. Isso somado à troca dos óculos pelas lentes de contato, utilizadas pela ministra desde o ano passado.

Veja a mudança (foto da Agência Estado e retirada do site www.ultimosegundo.ig.com.br)

NOVA DILMA X VELHA DILMA


Isso lembra alguém da mudança de Lula para as eleições de 2002, com barba feita, terno em ordem...?
Boatos maldosos afirmam que José Serra anda preocupado, e já estaria cogitando até um implante de cabelo e uma modificação naquela testa enrugada.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Eleições de 2009

Está chegando ao fim os mandatos de presidência de Arlindo Chinaglia (PT-SP) na Câmara dos Deputados e de Garibaldi Alves (PMDB-RN) no Senado. Em fevereiro serão realizadas as eleições para decidir os futuros presidentes das casas.
Na Câmara, Michel Temer (PMDB -SP) é o candidato com maior força. Além de contar com o apoio do próprio partido, detentor de 102 cadeiras, Temer tem também o patrocínio de mais 12 legendas: PSDB, DEM, PPS, PR, PTB, PSC, PV, PHS, PTC, PDT e PT. De acordo com suas contas, ele pode garantir nada menos que 420 votos só no primeiro turno.
O adversário de Temer será Aldo Rebelo (PC do B - SP), que até agora tem como principal legenda aliada o PSB. Rebelo já foi presidente da Câmara de 2005 a 2007. Tentou a reeleição, mas foi derrotado por Chinaglia na segundo turno (teve 243 votos, contra 261 votos do pemedebista). Uma das principais características de Rebelo é seu ufanismo, que o fez tomar medidas que foram alvos de piadas entre seus correligionários, como o projeto de criar o Dia Nacional do Saci-Pererê em 31 de outubro, em substituição ao Dia das Bruxas.
Há alguns meses surgiram boatos de que Aldo Rebelo assumiria o Ministério da Defesa, substituindo Nelson Jobin (período no qual o atual ministro estava bastante desgastado politicamente). Porém, as insinuações não deram frutos.
Temer e Rebelo terão que competir também com Ciro Nogueira (PP-PI) e Osmar Serraglio (PMDB-PR), estes com chances ínfimas de irem ao segundo turno. Mas, desde que Severino Cavalcanti (PP) foi eleito presidente da Câmara em 2005, desbancando o favorito Luís Eduardo Greenhalg (PT), de nada podemos duvidar.


Página no site da Câmara de Aldo Rebelo: http://www.camara.gov.br/Internet/Deputado/DepNovos_Detalhe.asp?id=96819&leg=53


SENADO
A disputa no Senado promete render mágoas futuras. Após assumir um mandato tampão resultante da renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL), que envolveu-se num escândalo de que todos devem recordar, Garibaldo Alves decidiu postular-se ao cargo novamente. Isso irritou profundamente o PT, que tinha um acordo tácito com o PMDB de apoio mútuo para as presidências (o PT cederia a presidência da Câmara para o PMDB, e o PMDB cederia a do senado para o PT). Os petistas não vêem com bons olhos Garibaldi Alves, devido à sua posição relativamente independente em relação ao Executivo, chegando até a tecer críticas ao mesmo (sua maior birra é com a fórmula das Medidas Provisórias, que trancam a pauta da Casa).
O adversário de Garibaldi será Tião Viana (PT-AC). Viana e seu partido terão que se esforçar muito para conseguir a cadeira de presidente, pois PSDB e DEM já deixaram claro que irão apoiar o candidato do PMDB (principalmente por sua independência, como dito acima). Ninguém duvida, portanto, que o Carnaval em Brasília começará em Janeiro, com a festa da distribuição de cargos e liberação de verbas para os senadores, a fim de angariar capital político para a vitória de Viana.
Página de Tião Viana no site do Senado:
Quem se fortalecerá, sem dúvida, é o PMDB, com excelentes chances de sentar na cadeira da presidência da Câmara e do Senado. Ao PT resta não contrariar muito seu principal aliado, que será vital para outra eleição, a de 2010, dessa vez valendo nada mais do que a cadeira da Presidência da República. E, nela, é o PSDB quem está mais próximo de sentar. Nessa dança das cadeiras, porém, ainda há muita música para tocar.